Mudei o nome do Blog
- Paulo Alcantara Gomes

- 1 de jun.
- 4 min de leitura
Por que escolhi esse nome para o meu blog?
Hoje, decidi mudar o nome do meu blog.
Depois de muitas reflexões e de boas conversas, cheguei a um título que me parece traduzir melhor aquilo que sou e aquilo que pretendo compartilhar:
Entre Ideias e Caminhos
Reflexões sobre a vida, a amizade, o conhecimento e o mundo.
A escolha não foi por acaso.
Ao olhar para trás, percebo que uma das maiores riquezas que acumulei ao longo da vida não foi material. Foram as pessoas. Os amigos e amigas que encontrei pelo caminho. As conversas demoradas, sem pressa, em volta de uma mesa. Os encontros que começam falando de trabalho e terminam discutindo o sentido da vida.

Gosto de conversas acompanhadas por um bom vinho, um scotch apreciado com moderação ou uma aguardente portuguesa, e um queijo ou presunto compartilhados entre amigos. Sou apenas um apreciador dos pequenos rituais que ajudam a celebrar a amizade, a boa companhia e o privilégio de estarmos juntos.
Nesses momentos, os assuntos surgem naturalmente. Recordamos episódios do passado, analisamos os desafios do presente e tentamos adivinhar o que nos reserva o futuro. Falamos de engenharia, universidades, ciência, inteligência artificial, política, viagens, religião, cultura, família e até das nossas próprias contradições.Falamos muito do meu querido Colégio Militar.
Falamos também dos filhos e dos netos, que muitas vezes representam a parte mais bonita daquilo que construímos ao longo da vida. São eles que renovam nossa esperança, desafiam nossas certezas e nos lembram que o futuro já chegou e está sentado à nossa mesa.
Quando penso nos caminhos que percorri, lembro-me também das pessoas que os tornaram mais ricos e mais humanos. Algumas continuam ao meu lado; outras vivem hoje apenas na memória, mas nem por isso estão ausentes.
Recordo amigos queridos como Lobo Carneiro, nosso inesquecível Lobão, Armando,
Marquinho, Gilberto Oliveira Castro, Neyde Felisberto e Maria Augusta e o Aluísio Teixeira, o Cabeça. Este foi o apelido que ganhou no Colégio Militar, onde todos tinham um. A UFRJ é singular até nos seus reitores, pois ambos fomos colegas de turma desde o velho curso de admissão, até o curso de engenharia, quando fomos interrompidos pela pressão da ditadura. Quando ele era reitor, eu e o Cabeça nos reuníamos toda quarta feira, desde as 19:00 até o fim da madrugada, no Rios’ ,no aterro do Flamengo. Foram muitas garrafas de uísque. Depois, continuamos com isso no periodos em que ele foi Reitor. Recordo também a Lúcia Siano, mulher amada, uma verdadeira “fiscal” do meu dia a dia, uma italiana autêntica, sempre atenta ao meu comportamento, às minhas escolhas e ao meu bem-estar, me corrigindo, me estimulando. Foi minha amiga até o último dia de sua vida.
Cada um deles deixou marcas, ensinamentos, alegrias e histórias que o tempo não apagou. Há cadeiras vazias em muitas das mesas da vida, mas há presenças que a ausência não consegue levar.
Penso também nos meus irmãos, Roberto e Beatriz Helena, que partiram cedo demais. A saudade nunca desaparece completamente. Com o passar dos anos, aprendemos apenas a conviver com ela. Eles fazem parte das minhas lembranças mais antigas, das minhas raízes e da pessoa que me tornei. De certa forma, continuam presentes em cada novo caminho que percorro.
E falamos dos afetos.
Dos amores que tivemos, dos amores que temos e das paixões que nos acompanharam pela jornada. Porque envelhecer não significa deixar de sentir. Significa apenas aprender que os sentimentos, como os bons vinhos, ganham novas nuances com o tempo.
Ao longo da vida, conhecemos pessoas que nos marcam profundamente. Algumas tornam-se companheiras de caminhada. Outras permanecem amigas. Há até aqueles amores impossíveis que o tempo vai transformando em afeto sereno, em admiração duradoura e em fraternidade. São verdadeiras irmãs, que busco para substituir a que perdi. Esses amores impossíveis não morrem e acabam por ocupar um enorme espaço no meu coração.
Haverá também lugar para a fé. Para a Igreja Católica, que me acompanha desde a infância. Estive longe dela por décadas,, mas retornei, cada dia com mais fé. Amo as velhas igrejas de pedra que desafiam os séculos, as catedrais que contam a história da civilização, os mosteiros silenciosos, as peregrinações, as perguntas sem resposta e a esperança que tantas vezes nos sustenta nos momentos difíceis. Porque os caminhos da vida não são feitos apenas de razão; são feitos também de transcendência.
À medida que os anos passam, compreendo cada vez mais que o conhecimento é importante, mas ganha outro significado quando compartilhado. Ideias isoladas têm valor. Ideias debatidas, questionadas e enriquecidas pelos outros têm muito mais.
Também não consigo ignorar certas inquietações. Vivemos tempos extraordinários do ponto de vista tecnológico e científico. Nunca tivemos tanto conhecimento disponível.
Ao mesmo tempo, assistimos com tristeza a persistência das guerras, da intolerância, da violência e da dificuldade de convivermos em paz. Talvez por isso seja tão importante continuar conversando.
E a política? Essa é uma das razões de ser do blog. Estou cansado do extremismo, do ódio, do rancor. É claro que cada um pensa de forma diferente e é assim que caminha a humanidade. Devemos, pois, respeitar as ideias, mas também devemos evitar medidas desumanas, que maltratam as pessoas, devemos lutar contra a corrupção, que empobrece as pessoas, contra a xenofobia, o racismo, o preconceito.
Este blog, com novo nome, nasce exatamente desse espírito. Hoje estamos no dia 31 de maio de 2026.
Será um espaço para registrar pensamentos, contar histórias, compartilhar experiências, discutir educação, inovação, engenharia, viagens, fé, amizade e os muitos temas que despertam minha curiosidade.
Não passa pela minha cabeça oferecer respostas definitivas. Quero apenas compartilhar perguntas, aprendizados e reflexões. Quero colocar minhas angústias, minhas dúvidas. Quero também contar histórias, de minha vida, das pessoas que conheci, dos países que visitei. Este foi o meu caminho. Afinal, ele não foi uma coleção de certezas. É uma sucessão de descobertas.
Porque, no fundo, a vida é feita de duas coisas inseparáveis: as ideias que nos inspiram e os caminhos que escolhemos percorrer.
E porque somos, em grande medida, a soma das pessoas que amamos, admiramos, perdemos e guardamos para sempre no coração.
Sejam todos bem-vindos a esta jornada. Espero que vocês me ajudem.



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