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Os Amores Impossíveis

  • Foto do escritor: Paulo Alcantara Gomes
    Paulo Alcantara Gomes
  • 2 de jun.
  • 2 min de leitura

30/05/2026


A vida, às vezes, parece estranhamente cruel. Passamos tantos anos perseguindo glórias profissionais, reconhecimentos, aplausos — coisas que, vistas de longe, pareciam sólidas e eternas. No entanto, o tempo, sábio e implacável, acaba por revelar o quanto dessa glória era apenas um brilho artificial: intensa, talvez, mas incapaz de aquecer a alma quando a noite chega.


No fim, descobrimos que os títulos pouco conversam com a solidão, e os êxitos não nos abraçam quando o coração se inquieta.


E é justamente quando pensamos já ter compreendido tudo sobre a vida que ela, silenciosamente, nos surpreende. Porque até na velhice surge a lembrança de amores impossíveis — delicados, inesperados, quase proibidos pelo tempo ou pelas circunstâncias.


Amores que sabemos, desde o primeiro instante, que talvez jamais se tornem realidade. Ainda assim, chegam e fazem morada.


Talvez seja essa uma das ironias mais doces e dolorosas da existência: perceber que o coração nunca envelhece por completo.


E há ainda algo mais desconcertante: às vezes, esses amores carregam nos olhos uma beleza difícil de explicar. Olhos lindos — mas atravessados por uma tristeza silenciosa, como se guardassem dores antigas ou sonhos interrompidos. E quem ama, mesmo em silêncio, acaba aprendendo a morar nesses olhos, buscando neles um pequeno sinal, um gesto quase invisível, uma esperança delicada que talvez nem exista, mas que insiste em permanecer viva no coração de quem sente.


Quem sabe… talvez os olhos tristes sejam apenas outra forma de dizer aquilo que as palavras não conseguem.


Hoje, já ultrapassando os oitenta anos, penso que preciso olhar para tudo isso com serenidade. Sem revolta. Sem amargura. Com a consciência tranquila de quem entende que nem tudo que é belo foi feito para ser vivido plenamente.


Meus anos finais, desejo vivê-los em paz. E esses amores — impossíveis, silenciosos, secretos — vão ficando longínquos e permanecerão guardados onde sempre estiveram: dentro do meu coração, como pequenas luzes que o tempo não conseguiu apagar.


Afinal, o que poderia eu oferecer a elas?


Talvez muito pouco.

 

 

 
 
 

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